Dia de campanha em Torres Novas.
Por aí andei com os meus companheiros.
Por aqui encontrei outra malta.
Por aqui espero o "Prime Minister" em campanha. Torres Novas hoje está no mapa da politica nacional.
Quanto a reacção das pessoas, não sei o que dizer. Acho as pessoas desacreditadas. Olham a classe politica com desconfiança. Sinto que os partidos têm de mudar perante os eleitores, mudar a forma de comunicar e interagir com estes.
Quanto à campanha em si (a propósito do muito que se vê nas nossas noticias)deixo este excerto literário: «Ninguém se respeita. Não existe nenhuma solidariedade entre os cidadãos. Já não se crê na honestidade dos homens públicos. A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia. O povo está na miséria. Os serviços públicos vão abandonados a uma rotina dormente. O desprezo pelas ideias aumenta a cada dia. Vivemos todos ao acaso. Perfeita, absoluta indiferença de cima a baixo! Todo o viver espiritual, intelectual, parado. O tédio invadiu as almas. A mocidade arrasta-se, envelhecida, das mesas das secretarias para as mesas dos cafés. A ruína económica cresce, cresce, cresce... O comércio definha. A indústria enfraquece. O salário diminui. A renda diminui. O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo. Neste salve-se quem puder a burguesia proprietária de casas explora o aluguer. A agiotagem explora o juro.
De resto a ignorância pesa sobre o povo como um nevoeiro (...) A intriga política alastra-se sobre a sonolência enfastiada do País. Apenas a devoção perturba o silêncio da opinião, com padre-nossos maquinais.
Não é uma existência, é uma expiação.E a certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências. Diz-se por toda a parte: «o País está perdido!» Ninguém se ilude. Diz-se nos conselhos de ministro e nas estalagens. E que se faz? Atesta-se, conversando e jogando o voltarete, que de Norte a sul, no Estado, na economia, na moral, o País está desorganizado – e pede-se conhaque!
Assim todas as consciências certificam a podridão; mas todos os temperamentos se dão bem na podridão!»
Eça de Queirós, in "Uma Campanha Alegre
Um abraço de até já...
JQO
Por aí andei com os meus companheiros.
Por aqui encontrei outra malta.
Por aqui espero o "Prime Minister" em campanha. Torres Novas hoje está no mapa da politica nacional.
Quanto a reacção das pessoas, não sei o que dizer. Acho as pessoas desacreditadas. Olham a classe politica com desconfiança. Sinto que os partidos têm de mudar perante os eleitores, mudar a forma de comunicar e interagir com estes.
Quanto à campanha em si (a propósito do muito que se vê nas nossas noticias)deixo este excerto literário: «Ninguém se respeita. Não existe nenhuma solidariedade entre os cidadãos. Já não se crê na honestidade dos homens públicos. A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia. O povo está na miséria. Os serviços públicos vão abandonados a uma rotina dormente. O desprezo pelas ideias aumenta a cada dia. Vivemos todos ao acaso. Perfeita, absoluta indiferença de cima a baixo! Todo o viver espiritual, intelectual, parado. O tédio invadiu as almas. A mocidade arrasta-se, envelhecida, das mesas das secretarias para as mesas dos cafés. A ruína económica cresce, cresce, cresce... O comércio definha. A indústria enfraquece. O salário diminui. A renda diminui. O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo. Neste salve-se quem puder a burguesia proprietária de casas explora o aluguer. A agiotagem explora o juro.
De resto a ignorância pesa sobre o povo como um nevoeiro (...) A intriga política alastra-se sobre a sonolência enfastiada do País. Apenas a devoção perturba o silêncio da opinião, com padre-nossos maquinais.
Não é uma existência, é uma expiação.E a certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências. Diz-se por toda a parte: «o País está perdido!» Ninguém se ilude. Diz-se nos conselhos de ministro e nas estalagens. E que se faz? Atesta-se, conversando e jogando o voltarete, que de Norte a sul, no Estado, na economia, na moral, o País está desorganizado – e pede-se conhaque!
Assim todas as consciências certificam a podridão; mas todos os temperamentos se dão bem na podridão!»
Eça de Queirós, in "Uma Campanha Alegre
Um abraço de até já...
JQO

0 Comentários:
Enviar um comentário
Subscrever Enviar comentários [Atom]
<< Página inicial