"TARAMBOLAS" by Quaresma

A liberdade de expressão, em todas as suas formas e manifestações, é um direito fundamental e inalienável, inerente a todas as pessoas. É, ademais, um requisito indispensável para a própria existência de uma sociedade democrática.

Terça-feira, Maio 31, 2011

Dia de campanha em Torres Novas.

Por aí andei com os meus companheiros.

Por aqui encontrei outra malta.

Por aqui espero o "Prime Minister" em campanha. Torres Novas hoje está no mapa da politica nacional.

Quanto a reacção das pessoas, não sei o que dizer. Acho as pessoas desacreditadas. Olham a classe politica com desconfiança. Sinto que os partidos têm de mudar perante os eleitores, mudar a forma de comunicar e interagir com estes.


Quanto à campanha em si (a propósito do muito que se vê nas nossas noticias)deixo este excerto literário: «Ninguém se respeita. Não existe nenhuma solidariedade entre os cidadãos. Já não se crê na honestidade dos homens públicos. A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia. O povo está na miséria. Os serviços públicos vão abandonados a uma rotina dormente. O desprezo pelas ideias aumenta a cada dia. Vivemos todos ao acaso. Perfeita, absoluta indiferença de cima a baixo! Todo o viver espiritual, intelectual, parado. O tédio invadiu as almas. A mocidade arrasta-se, envelhecida, das mesas das secretarias para as mesas dos cafés. A ruína económica cresce, cresce, cresce... O comércio definha. A indústria enfraquece. O salário diminui. A renda diminui. O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo. Neste salve-se quem puder a burguesia proprietária de casas explora o aluguer. A agiotagem explora o juro.
De resto a ignorância pesa sobre o povo como um nevoeiro (...) A intriga política alastra-se sobre a sonolência enfastiada do País. Apenas a devoção perturba o silêncio da opinião, com padre-nossos maquinais.
Não é uma existência, é uma expiação.E a certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências. Diz-se por toda a parte: «o País está perdido!» Ninguém se ilude. Diz-se nos conselhos de ministro e nas estalagens. E que se faz? Atesta-se, conversando e jogando o voltarete, que de Norte a sul, no Estado, na economia, na moral, o País está desorganizado – e pede-se conhaque!
Assim todas as consciências certificam a podridão; mas todos os temperamentos se dão bem na podridão!»
Eça de Queirós, in "Uma Campanha Alegre


Um abraço de até já...

JQO

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